Isaias Lobao
Palavras e reflexões de um professor de história e teologia.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
O farol
Certo Faraó mandou chamar seu artista mais genial em arquitetura e lhe ordenou que construísse um farol extraordinário, um farol que não podia ser imitado por ninguém, devido a sua grandeza e opulência. O artista se entusiasmou com a idéia e depois de dedicar todo o seu talento e genialidade, terminou o pedido real.
O farol superou os sonhos do Faraó e passou a ser uma das maravilhas do mundo antigo. Porém, surgiu uma dificuldade, tanto Faraó como o artista, queriam que seus nomes aparecessem em letras douradas na parta mais visível do farol.
Disseram ao artista que não seria inteligente contrariar o Faraó, que como todo grande governante, não gostava de ser contrariado.
Depois de pensar muito, ele descobriu a solução. Escreveu seu nome diretamente na parede do farol, depois cobriu com uma camada de barro e esculpiu nela, com grandes letras, o nome do Faraó. Este agradecido pagou a soma estipulada pelo artista e contemplou sua obra.
Passados muitos anos, depois de tempestades de areia e muito vento, àquela camada de barro ruiu, e o nome do Faraó caiu com ela, e surgiu o nome do artista responsável pelo empreendimento.
Graças ao seu engenhoso plano, seu nome ficou conhecido posteriormente como o criador daquela maravilha arquitetônica.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Cessacionismo
11 de agosto de 2011
O que o cessacionismo não é[i]
por Nathan Busenitz
Muito barulho foi feito (nesse blog e em outro lugar) sobre os recentes comentários anti-cessacionistas feitos por um pastor popular de Seattle. Não desejo começar uma guerra de palavras ou me envolver numa polêmica online. Apenas espero fazer uma contribuição útil a esse tema.
Nos últimos anos, investiguei o registro histórico sobre os dons carismáticos, especialmente o dom de línguas. Espero que o pastor citado, e seu co-autor, tratem o material de forma responsável em seus futuros trabalhos sobre o assunto (Quem sabe, talvez eles poderiam estar abertos a um livro com dois pontos de vista?)
Além disso, também espero que, ao criticar a posição cessacionista, os autores não criem uma caricatura do cessacionismo. (Vou admitir que, com base no que li até agora, tenho medo de que a caricatura já esteja em construção.)
Contudo, em um esforço para desmantelar uma deturpação falaciosa antes de ser construída, ofereço os quatro seguintes esclarecimentos sobre o que o cessacionismo não é:
1. Cessacionismo não é contra o sobrenatural e nem nega a possibilidade dos milagres.
Quando se trata de compreender a posição cessacionista, a questão não é se Deus continua a fazer milagres hoje? Cessacionistas reconheceriam prontamente que Deus pode agir a qualquer momento e da maneira que Ele escolher. John MacArthur explica que:
Milagres na Bíblia (primariamente) ocorreram em três grandes períodos de tempo. O tempo de Moisés e Josué, o tempo de Elias e Eliseu, e o tempo de Cristo e os apóstolos. . . . E durante esses três breves períodos de tempo, e somente neles, os milagres proliferaram; eles eram a norma, eram em abundância. Agora, Deus pode interpor-Se no fluxo humano sobrenaturalmente a qualquer hora que Ele quiser. Nós não o limitamos. O que simplesmente dizemos é que Ele escolheu limitar a Si mesmo em grande medida àqueles três períodos de tempo.
Assim, o cessacionismo não nega a realidade de que Deus pode fazer o que Ele quiser, sempre que Ele quiser. (Salmo 115:3). O cessacionismo não coloca Deus numa caixa ou limita sua prerrogativa soberana.
Ele reconhece que havia algo único e especial sobre o período e realização de milagres que definiu os ministérios de Moisés e Josué, Elias e Eliseu, e Cristo e seus apóstolos. Além disso, ele reconhece o fato aparentemente óbvio que esses tipos de milagres (como a divisão do mar, a interrupção da chuva, a ressurreição dos mortos,o andar sobre a água, ou a cura instantânea de coxos e cegos) não estão ocorrendo hoje.
Assim, os cessacionistas concluem que:
A era apostólica foi maravilhosamente única e está finalizada. E o que aconteceu nesse tempo, portanto, não é o paradigma para a vida cristã.O paradigma para a vida cristã é estudar a Palavra de Deus, que é capaz de nos tornar sábios e perfeitos. (Isto) é viver pela fé e não por vista. (Ibid.)
Mas, será que Deus ainda pode fazer coisas extraordinárias no mundo de hoje? Certamente que sim, se Ele escolher. Na verdade, cada vez que os olhos de um pecador são abertos para evangelho, e uma nova vida em Cristo é criada, isto nada mais é do que um milagre.
Em seu útil livro, Continua? Samuel Waldron habilmente expressa a posição cessacionista desta forma: 102):
Não estou negando os milagres no mundo de hoje no sentido mais amplo de ocorrências sobrenaturais e providências extraordinárias. Estou apenas dizendo que não existem milagres no sentido mais estrito dos operadores de milagres, que se utilizam de sinais miraculosos para atestar a revelação redentora de Deus. Embora Deus nunca tenha se colocado para fora do Seu mundo, e ainda tenha liberdade para fazer o que Lhe apraz, quando Lhe apraz, como Lhe apraz, e onde Lhe apraz, Ele deixou claro que o progresso da revelação redentora, atestada por sinais miraculosos feitos por operadores de milagres, terminou na revelação apresentada no Novo Testamento.
Portanto, a questão não é: Deus ainda faz milagres?
Em vez disso, a questão definitiva deve ser esta: Os dons miraculosos do Novo Testamento continuam operando hoje na igreja de tal forma que o que era norma nos dias de Cristo e dos apóstolos deva ser esperado hoje?
A isso, todo cessacionista responderia que "não"
2. O Cessacionismo não é fundamentado em uma única interpretação do "perfeito" em I Coríntios 13:10.
Com relação a esse assunto, parece que existe tantas abordagens sobre “o perfeito” entre os eruditos cessacionistas quanto existem comentaristas que escrevem a respeito de 1 Coríntios 13:8-13. O espaço desse artigo não permite uma investigação completa sobre o tema, mas somente uma rápida explanação das principais posições.
As diferentes visões
(1) Alguns (como F.F. Bruce) argumentam que o próprio amor é o perfeito. Assim, quando a plenitude do amor vier, os coríntios deixarão seus desejos infantis.
(2) Alguns (como B.B. Warfield) afirmam que o cânon completo da Escritura é o perfeito. A Escritura é descrita como "perfeita em Tiago 1:25, um texto em que a mesma palavra para “espelho” (como no v. 12) é encontrada (em Tiago 1:23). Assim, a revelação parcial será aniquilada quando chegar a plena revelação da Escritura.
(3) Alguns (como Robert Thomas) afirmam que a maturidade da igreja é o perfeito. Esta abordagem é baseada na ilustração do verso 11 e a conexão entre esta passagem e Ef. 4:11–13. O momento exato da "maturidade" da igreja é desconhecido,embora embora esteja muito associada ao fechamento do cânon e o fim da era apóstolica. (cf. Ef. 2:20).
(4)Alguns (como Thomas Edgar) veem a condução do crente à presença de Cristo (no momento da morte) como o perfeito. Esta perspectiva considera o aspecto pessoal da afirmação paulina no verso 12. A experiência pessoal de Paulo do pleno conhecimento quando ele for conduzido a presença de Cristo em sua morte. (cf. 2 Co. 5:8).
(5) Alguns (como Richard Gaffin) veem o retorno de Cristo (e o fim desta era) como o perfeito. Este é o mesmo ponto de vista da maioria dos continuístas. Assim, quando Cristo voltar (como descrito no capítulo 15), a revelação parcial, como nós conhecemos agora, será completada.
(6) Alguns (como John MacArthur) compreendem O estado eterno (no sentido geral) como o perfeito. Esta posição interpreta o neutro de to teleion como uma referência ao sentido geral dos eventos e não ao retorno pessoal de Cristo. Esta perspectiva combina as posições 4 e 5, citadas acima. De acordo com esta perspectiva: "Para os cristãos, o estado eterno inicia na morte, quando se encontram com o Senhor ou no arrebatamento, quando o Senhor o tomar para Si. (John MacArthur, Primeira Coríntios, p. 366).
Destas perspectivas, eu acho as três ultimas mais convincentes do que as três primeiras. Isto se deve principalmente, (eu confesso) ao testemunho da história da igreja. Dr. Gary Shogren, após um profundo estudo de mais de 169 referências patrísticas a esta passagem, conclui que a vasta maioria dos Pais da Igreja entendiam o perfeito como algo que está além desta vida(normalmente associando-o com o retorno de Cristo ou ao retorno de Cristo no céu. Até mesmo João Crisóstomo (que era claramente um cessacionista) via desta maneira. Embora não seja determinante, tal evidência histórica é de difícil rejeição.
Em todo caso, meu ponto aqui é simplesmente este: O intérprete pode tomar qualquer uma das posições acima e ainda permanecer cessacionista. De fato, existem cessacionistas sustentando cada uma das posições listadas (como os nomes listados indicavam)
Deste modo, Anthony Thiselton observa em seu comentário sobre esta passagem: "O único ponto importante aqui é que poucos ou nenhum dos argumentos dos “cessacionistas” sérios dependem de uma exegese específica de 1 Cor 13:8-11 . . . Estes versos não devem ser usados como polêmica em nenhum dos lados neste debate "(NIGTC, pp 1063-1064). 1063–64).
3. Cessacionismo não é um ataque à Pessoa ou à obra do Espírito Santo.
Na verdade, apenas o oposto é verdadeiro. Cessacionistas são motivados pelo desejo de ver o Espírito Santo glorificado Eles estão preocupados que, ao redefinir os dons, a posição continuísta barateie a natureza extraordinária dos dons, diminuindo a verdadeira obra miraculosa do Espírito nos estágios iniciais da igreja.
Cessacionistas estão convencidos de que, redefinindo a cura, a posição carismática apresenta um mau testemunho para o mundo ao ver que o doente não está curado. Redefinindo o dom de línguas, a posição carismática promove um tipo de jargão absurdo que vai contra tudo o que sabemos sobre o dom bíblico. Redefinindo o dom de profecia, a posição carismática dá credibilidade para aqueles que afirmam falar as palavras de Deus e ainda incorrem em erro.
Portanto, esta é a principal preocupação dos cessacionistas: Que a honra do Deus Triuno e Sua Palavra sejam exaltadas – e que ela não seja banalizada por fracos substitutos.
E o que fazemos para saber se algo é autêntico ou não? Através de sua comparação com o testemunho escrito das Escrituras. Será que ao irmos para a Bíblia para definirmos os dons significa que estamos desprezando o Espírito Santo? Muito pelo contrário. Quando examinamos as Escrituras, estamos indo ao próprio testemunho do Espírito Santo para descobrir que Ele revelou os dons que Ele concedeu.
Como cessacionista, eu amo o Espírito Santo. Nunca iria querer fazer qualquer coisa para desacreditar sua obra, diminuir os seus atributos, ou minimizar o seu ministério. Nem iria querer perder nada do que Ele esteja fazendo na igreja de hoje. E eu não sou o único cessacionista que se sente assim.
Porque amamos o Espírito Santo pela incrível e contínua obra do Espírito no corpo de Cristo. Suas obras de regeneração, habitação, batismo, selo, segurança iluminação, convencimento, confrontamento, confirmação, enchimento, e capacitação são todos os aspectos indispensáveis de seu ministério.
Porque amamos o Espírito Santo, somos motivados a estudar as Escrituras que Ele inspirou para aprender a andar de modo digno, sendo caracterizado pelo seu fruto. Ansiamos ser cheios pelo Espírito (Ef. 5:18) o que começa por sermos cheios de Sua Palavra (Cl 3:16-17) e ser equipados com Sua espada, que é a Palavra de Deus (Ef 6:17).
Finalmente, por causa do amor que temos pelo Espírito Santo , o apresentamos de forma justa, para entender e apreciar seus propósitos( como ele no-lo revelou em Sua Palavra), e alinhar-nos com o que Ele tem feito no mundo. Isto mais do que tudo nos dá razão para estudar a questão dos dons carismáticos (cf. 1Co 12:7-11). Nosso objetivo neste estudo tem que ser mais do que mera correção doutrinária. Nossa motivação deve ser de obter uma compreensão mais precisa da obra do Espírito Santo, de tal forma que possamos melhorar o nosso rendimento no serviço a Cristo, para glória de Deus.
4. Cessacionismo não é um produto do Iluminismo.
Talvez a maneira mais fácil de demonstrar este ponto final é citar os líderes pré-Iluministas cristãos que sustentavam uma posição cessacionista. Afinal, é difícil argumentar que a teologia de João Crisóstomo no século IV foi um resultado do racionalismo europeu do século XVIII.
Finalizando o assunto deste post, aqui estão dez líderes da história da Igreja a se considerar:
1. João Crisóstomo (c. 344–407):
A passagem inteira (falando sobre 1 Coríntios 12) é muito obscura, mas a obscuridade é produzida por nossa ignorância dos fatos referidos e por sua cessação, fatos que ocorriam, mas agora não tem mais lugar.
(fonte: João Crisóstomo, Homilias em I Coríntios, 36.7 Crisóstomo está comentando 1 Co. 12:1-2 como introdução ao capítulo inteiro. Citado de 1-2 Coríntios in: Ancient Christian Commentary Series, 146.)
2. Agostinho (354-430):
Nos tempos antigos o Espírito Santo veio sobre os crentes e eles falaram em línguas, que não haviam aprendido, conforme o Espírito concediam que falassem. Estes foram sinais adaptados ao tempo. Pois aquilo foi o sinal do Espírito Santo em todas as línguas [idiomas] para mostrar que o Evangelho de Deus era para ser espalhado a todas as línguas sobre a terra. Isto foi feito por um sinal, e o sinal findou.
(Fonte: Agostinho. Homilias sobre a Primeira Epístola de João, 6.10. Cf. Schaff, NPNF, First Series, 7:497-98)
3. Teodoreto de Ciro (c. 393 c. 466):
Em tempos antigos, aqueles que aceitaram a divina pregação e que foram batizados para a sua salvação, receberam sinais visíveis da graça do Espírito Santo trabalhando neles. Alguns falaram em línguas que eles não sabiam e que ninguém lhes havia ensinado, enquanto outros realizaram milagres ou profetizaram. O coríntios também fizeram essas coisas, mas não usaram os dons como deveriam ter usado. Eles estavam mais interessados em se mostrar do que em usar os dons para a edificação da igreja . . . Mesmo no nosso tempo a graça é dada para aqueles que são julgados dignos do santo batismo, mas não pode assumir a mesma forma que possuía naqueles dias.
(Fonte: Teodoreto de Ciro. Comentário sobra a primeira epístola aos Coríntios, 240, 43; em referência à 1Co 12:1,7. Citado de 1-2 Coríntios, ACCS, 117).
Nota: Os defensores do continuísmo, como Jon Ruthven (em seu trabalho, sobre a Cessação dos Charismata), também reconhece pontos de vista cessacionistas em outros Pais da Igreja (como Orígenes, no século 3, e Ambrósio no século 4).
Além disso, a esta lista, podemos incluir o nome mais conhecido da Idade Média, o escolástico do século 13, Thomás Aquino.
Mas, vamos avançar para a Reforma e a era Puritana.
4. Martinho Lutero (1483-1546)
Na Igreja primitiva, o Espírito Santo foi enviado de forma visível. Ele desceu sobre Cristo na forma de uma pomba (Mt. 3:16), e à semelhança de fogo sobre os apóstolos e outros crentes. (Atos 2:3) Esse derramamento visível do Espírito Santo foi necessário para o estabelecimento da Igreja primitiva, como também foram necessários os milagres que acompanharam o dom do Espírito Santo. Paulo explicou o propósito destes dons miraculosos do Espírito em I Coríntios 14:22, "as línguas são um sinal, não para os que crêem, mas para os que não crêem". Uma vez que a Igreja tinha sido estabelecida e devidamente anunciada por estes milagres, a aparência visível do Espírito Santo cessou.
(Fonte: Martinho Lutero, traduzido por Theodore Graebner [Grand Rapids, Michigan: Zondervan, 1949]...., pp 150-172. A respeito do comentário de Lutero sobre Gálatas 4:6.)
5. João Calvino (1509-1564):
Embora Cristo não declare expressamente se Ele pretende que esse dom [de milagres] seja temporário ou a permaneça perpetuamente na Igreja, é mais provável que os milagres tenham sido prometidos apenas por um tempo, para dar brilho ao evangelho enquanto ele era novo ou em estado de obscuridade.
(Fonte: João Calvino, Comentário sobre os Evangelhos Sinóticos, III:389.)
O dom de cura, como o resto dos milagres, os quais o Senhor quis que fossem trazidos à luz por um tempo, desapareceu, a fim de tornar a pregação do Evangelho maravilhosa para sempre.
(Fonte: João Calvino, Institutas da Religião Cristã, IV: 19, 18.)
6. John Owen (1616-1683):
Dons que em sua própria natureza excederam completamente o poder de todas as nossas habilidades, essa dispensação do Espírito há muito cessou e onde ela agora é simulada por alguém, pode ser justamente presumida como um delírio entusiasmado.
(Fonte: John Owen, Obras, IV:518.)
7. Thomas Watson (1620-1686):
Claro, há tanta necessidade de ordenação hoje como no tempo de Cristo e no tempo dos apóstolos, quando então havia dons extraordinários na igreja, os quais agora cessaram.
(Fonte: Thomas Watson, As Bem-Aventuranças, 140.)
8. Mattew Henry (1662-1714):
O que eram esses dons nos é largamente dito no corpo do capítulo [1 Coríntios 12], ou seja, ofícios e poderes extraordinários, concedidos a ministros e cristãos nos primeiros séculos, para a convicção dos descrentes, e propagação do evangelho.
(Fonte: Mattew Henry, Comentário Completo, em referência a 1 Coríntios 12
O dom de línguas foi um novo produto do espírito de profecia e dado por uma razão particular, retirar o judeu e demonstrar que todas as nações podem ser conduzidas à igreja. Estes e outros sinais da profecia, começaram como sinais, e há muito cessaram e foram deixados para trás, e nós não temos nenhum incentivo para esperar um avivamento deles; mas, pelo contrário, somos direcionados para o chamado das Escrituras a mais certa palavra de profecia, mais certa que vozes dos céus, e ela nos orienta a tomar cuidado, a busca-la e se firmar nela., 2 Pedro 1:29.
(Fonte: Mattew Henry, Prefácio ao Vol IV de sua Exposição do At e NT, vii.)
9. John Gill (1697-1771):
[Comentando 1 Coríntios 12:9 e 30,].
Agora esses dons foram concedidos comumente, pelo Espírito, aos apóstolos, profetas e pastores, ou anciãos da igreja, naqueles primeiros tempos: a cópia de Alexandria, ea versão Latina da Vulgata, dizem, "por um só Espírito".
(Fonte: Comentário de John Gill de 1 Coríntios 12:9.)
Não; quando estes dons estavam presentes, nem todos os possuíam. Quando a unção com óleo, a fim de curar o doente, estava em uso, ela só foi executada pelos anciãos da igreja, e não pelos seus membros comuns, que deveriam buscar o doente nesta ocasião.
(Fonte: Comentário de John Gill de 1 Coríntios 12:30.)
10. Jonathan Edwards (1703-1758):
Nos dias de sua [Jesus] encarnação, os seus discípulos tinham uma medida dos dons miraculosos do Espírito, sendo habilitados desta forma para ensinar e fazer milagres. Mas, depois da ressurreição e ascensão, ocorreu o mais completo e notável derramamento do Espírito em seus dons milagrosos que já existiu, começando com o dia de Pentecostes, depois da ressureição Cristo e Sua ascenção ao céu. E, em conseqüência disto, não somente aqui e ali uma pessoa extraordinária era dotada de dons extraordinários, mas eles eram comuns na igreja, e assim continuou durante a vida dos apóstolos, ou até a morte do último deles, mesmo o apóstolo João, que viveu por cerca de cem anos desde nascimento de Cristo, de modo que os primeiros cem anos da era cristã, ou o primeiro século, foi a era dos milagres.
Mas, logo após a finalização do cânon da Escritura quando o apóstolo João escreveu o livro do Apocalipse, não muito antes de sua morte, os dons miraculosos tiveram seu fim na igreja. Pois, agora, a revelação escrita da mente e da vontade de Deus estava completa e estabelecida. Revelação na qual Deus havia perfeitamente gravado uma regra permanente e totalmente suficiente para Sua igreja em todas as eras. Com a igreja e a nação judaica derrotadas, e a igreja cristã e a última dispensação da igreja de Deus estabelecidas, os dons miraculosos do Espírito já não eram mais necessários e, portanto, eles cessaram; pois embora eles tenham continuado na igreja por tantas eras, eles se extinguiram, e Deus fez com que fossem extintos porque já não havia ocasião favorável a eles. E assim foi cumprido o que está dito no texto: “Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão;. Havendo ciência, desaparecerá". E agora parece ser o fim para todos os frutos do Espírito tais como estes, e não temos mais razão de esperar que voltem.
(Fonte: Jonathan Edwards, sermão intitulado "O Espírito Santo deve ser comunicado ao Santos para sempre, In na graça da caridade, ou amor divino", em 1 Coríntios 13:8).
Os dons extraordinários foram dados para a fundação e o estabelecimento da igreja no mundo. Mas, depois que o cânon das Escrituras foi concluido e a igreja cristã foi plenamente fundada e estabelecida, os dons extraordinários cessaram.
(Fonte: Jonathan Edwards, Caridade e seus frutos, 29.)
* * * * *
Poderiamos adicionar a esta lista outros nomes: James Buchanan, R. L. Dabney, Charles Spurgeon, George Smeaton, Abraham Kuyper, William G. T. Shedd, B. B. Warfield. A. W. Pink, e assim por diante. Mas, tem que se admitir, eles são figuras históricas pós-iluministas.
Então, eu acho que é melhor usar seu testemunho em uma outra postagem.
[i] Traduzido por Isaias Lobao Pereira Junior e devidamente revisado por Arielle Pedrosa Borges. Todos os defeitos na tradução devem ser creditados a mim (Isaias). Com valiosas contribuições de Werbson Calin.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Curiosidades bíblicas
A menor Bíblia existente foi impressa na Inglaterra e pesa somente 20 gramas. Este fabuloso exemplar da Bíblia mede 4,5cm de comprimento, 3 cm de largura e 2cm de espessura. Apesar de ser tão pequenina, contém 878 páginas, possui uma série de gravuras ilustrativas e pode ser lida com o auxílio de uma lente.
A maior Bíblia que se conhece, contém 8048 páginas, pesa 547 kg e tem 2,5m de espessura. Foi confeccionada por um marceneiro de Los Angeles, durante dois anos de trabalho ininterrupto. Cada página é uma delgada tábua de 1m de comprimento, em cuja superfície estão gravados os textos.
A Bíblia contém 31.000 versículos e 1.189 capítulos. Para sua leitura completa são necessárias 49 horas, a saber, 38 horas para a leitura do Velho Testamento e 11 para o Novo Testamento. Para lê-la audivelmente, em velocidade normal de fala, são necessárias cerca de 71 horas. Se você deseja lê-la em 1 ano, deve ler apenas 4 capítulos por dia.
A divisão em capítulos foi introduzida pelo professor universitário parisiense Stephen Langton, em 1227, que viria a ser eleito bispo de Cantuária pouco tempo depois. A divisão em versículos foi introduzida em 1551, pelo impressor parisiense Robert Stephanus. Ambas as divisões tinham por objetivo facilitar a consulta e as citações bíblicas, e foi aceita por todos, incluindo os judeus;
Há na Bíblia 8.000 menções de Deus entre seus vários nomes, e 177 menções do Diabo sob seus vários nomes.
O Antigo Testamento no tempo de Jesus era chamado de "as Escrituras". Cada livro era escrito separadamente em seu rolo especial, sendo que os da sinagoga, eram presos a duas hastes de madeira, para ser desenrolado e enrolado simultaneamente, a medida que era lido. A Bíblia significa hoje o Livro - "O Livro por excelência", o Livro Sagrado.
A Bíblia sumariza a humanidade, da sua origem até à consumação final, indicando para o homem que a sua salvação é apenas no Senhor Jesus Cristo (Jo 3.16).
Evangelho
"Vocês e eu, somos constrangidos a pregar o evangelho, mesmo que nenhuma alma jamais seja convertida por ele; pois o grande propósito do evangelho é a glória de Deus, visto que Deus é glorificado mesmo naqueles que rejeitam o evangelho".

Charles H. Spurgeon, (1834-1892)
Ensino superior
O Brasil enfrenta o desafio de superar a herança da desigualdade na área da educação. Embora se tenha avançado neste campo nas últimas décadas, ainda há muito para ser feito.
Não existe dúvida quanto à necessidade objetiva de expansão do ensino superior no país já que a inclusão no ensino superior no Brasil é aviltante se comparado com a inclusão que existe na maioria dos países da América Latina e Central e a formação universitária é fundamental num projeto de formação profissional, científica e cultural de quadros.

A educação superior brasileira, que se manteve relativamente estagnada ao longo da década de 80, retomou seu crescimento nos anos mais recentes, e tende a se expandir cada vez mais nos próximos anos.
Entre os acadêmicos brasileiros existe certo preconceito em relação às IES privadas. Muitas vezes elas são vistas apenas como caça-níqueis. Apesar de existirem muitas de qualidade reconhecida como as PUCs e a FGV. Associa-se ao setor privado tudo o que é negativo. Diz-se que nele não se realizam pesquisas como no setor público, tendendo a uma qualidade inferior do ensino e a professores menos qualificados. Além disso, é considerado um constante gerador de desconforto, pelo fato de cobrar mensalidade.
Comparando com a média das públicas elas realmente são de nível inferior, no entanto deve se levar em consideração que a maioria ainda é recente, possui na média um nível inferior de alunos, sofre o problema sério do inadimplemento e todas as dificuldades que o empreendimento privado tem no Brasil.
O ensino nas IES privadas vai melhorar e se desenvolver no momento em que o país crescer e houver a demanda por melhores profissionais e investimentos em produção cientifica. Não adianta, mesmo que possível, prover ensino superior a todos enquanto não existir uma demanda para absorver esses futuros profissionais.
O ensino privado possui uma maior sintonia com a situação econômica, por isso que no resto do mundo as melhores instituições superiores são privadas. Suas produções científicas recebem uma aplicação efetiva ao invés de ficar em alguma biblioteca acumulando poeira. Isso fica evidente no número de investimentos e na sua qualidade.
A expansão das IES privadas contribui para o desenvolvimento econômico e social. Enquanto Estado se preocupava no ensino de elite, podia-se manter e atender a quase totalidade da demanda. Agora, com o setor privado, permitiu-se que muitos tenham condições e acesso ao ensino superior, havendo uma relativa democratização do ensino.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Justificação e Santificação
A diferença entre Justificação e Santificação
A doutrina da Justificação pela Fé foi o núcleo tormentoso da Reforma Protestante. Segundo Lutero, é o elemento sobre qual a igreja fica em pé ou cai.
A justificação vem sempre acompanhada de regeneração. Todos os que são justificados por Deus são simultaneamente regenerados por Ele. Além disto, o novo nascimento conduz inevitavelmente a uma nova vida, e essa justificação à santificação.
Os teólogos puritanos costumavam enfatizar cinco diferenças entre a Justificação e a Santificação:
1. A Justificação consiste no juízo de Deus, em que Ele declara o pecador justo; a santificação é o seu ato moral, pelo qual Ele torna o pecador justo.
2. Deus justifica os pecadores por meio da morte de Seu Filho; mas santifica-os por meio da regeneração e fazendo habitar neles o Espírito Santo.
3. A Justificação é imediata. Ela se dá no momento exato que Deus declara justo o pecador. Já a santificação é gradativa. Ele começa no momento que somos justificados, mas vai crescendo na medida que o Espírito Santo nos transforma A imagem de Cristo (I Co 3.18)
4. A Justificação é completa. Ela não tem patamares. Nós não seremos mais justificados no dia da nossa morte do que éramos no dia da nossa conversão. A Santificação, porém, é incompleta. Ainda que comece quando nos convertermos e fomos regenerados, ela continua no decorrer de nossa vida terrena e se consumará quando Cristo se manifestar.
5. A Justificação se dá somente pela fé, sem obras. Ele depende, inteiramente, e absolutamente, da obra de Cristo na cruz. As pessoas em nada contribuem para a sua salvação. Elas estão inteiramente destituídas de livre-arbítrio com respeito à salvação. Deus é a única causa eficiente da salvação. Mas, a Santificação é pela fé e pelas obras. Além de confiarmos em Deus, somos exortados a vigiar e orar.
A santificação começa com o nosso novo nascimento; todavia, ela jamais terá fim nesta vida. Nós não somos perfeitos, nem o seremos, enquanto estivermos neste modo de vida terreno; todavia, buscamos a perfeição; caminhamos em sua direção (Fp 3.12-14). O pecado continuará em toda a nossa peregrinação terrena a exercer influência sobre nós; por isso, qualquer conceito de perfeccionismo espiritual, que declare que o crente não mais peca, é antibíblico.
Veja o que afirmou o Dr. John Murray,
que foi professor do Westminster Theological Seminary:
“Há uma total diferença entre o pecado sobrevivente e o pecado reinante, o regenerado em conflito com o pecado e o não-regenerado tolerante para com o pecado. Uma coisa é o pecado viver em nós; outra bem diferente é vivermos em pecado. Uma coisa é o inimigo ocupar a capital; outra bem diferente são suas milícias derrotadas molestarem os soldados do reino.” Fonte: Redenção: Consumada e Aplicada, John Murray, p. 162.